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A Equipa Redactorial

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Festarte 2008 - Património Imaterial Cultural da Humanidade

Sob o Signo da UNESCO

Decorreu entre os dias 24 de Julho e 4 de Agosto o 11º FESTARTE – Festival Internacional de Artes e Tradição Popular de Matosinhos, que este ano trouxe ao nosso concelho grupos folclóricos oriundos de seis Países, desde a Ásia até à América Latina, passando pela Europa maioritariamente representada como vem sendo habitual. Este ano o FESTARTE procurou chamar a atenção para a Salvaguarda do Património Imaterial Cultural da Humanidade, adoptada a 17 de Outubro de 2003, na 32ª Sessão da Conferência Geral da UNESCO. Sendo o FESTARTE um festival CIOFF (Comité Internacional de Organizadores de Festivais de Folclore e Artes Tradicionais), nada faria mais sentido do que promover e naturalmente salvaguardar esse Património Imaterial Cultural. Essa Convenção da UNESCO foi ratificada por decreto do Sr. Presidente da República de 26 de Março de 2008 e igualmente aprovada pela Assembleia da República. Para que possamos perceber exactamente do que se trata, aproveito as palavras do presidente do FESTARTE, Raul Neves, que na sua mensagem aos participantes do Festival, transcreve o artigo 2 dos 40 existentes nessa resolução:
“1) Entende-se por “património cultural imaterial” as práticas, representações, expressões, conhecimentos e aptidões – bem como os instrumentos, objectos, artefactos e espaços culturais que lhes estão associados – que as Comunidades, os Grupos e, sendo o caso, os indivíduos reconheçam como fazendo parte integrante do seu património cultural. Esse património cultural imaterial, transmitido de geração em geração, é constantemente recriado pelas Comunidades e Grupos em função do seu meio, da sua interacção com a natureza e da sua história, incutindo-lhes um sentido de identidade e de continuidade, contribuindo, desse modo, para a promoção do respeito pela diversidade cultural e pela criatividade humana. Para os efeitos da presente Convenção, tomar-se-á em consideração apenas o património cultural imaterial que seja compatível com os instrumentos internacionais existentes em matéria de direitos do Homem, bem como as exigências de respeito mútuo entre comunidades, grupos e indivíduos e de desenvolvimento sustentável;
2) O “património cultural imaterial”, tal como definido no número anterior, manifesta-se nomeadamente nos seguintes domínios:
a) Tradições e expressões orais, incluindo a língua como vector do património cultural imaterial;
b) Artes do espectáculo;
c) Práticas sociais, rituais e eventos festivos;
d) Conhecimentos e práticas relacionados com a natureza e o universo;
e) Aptidões ligadas ao artesanato tradicional.”
Se olharmos para o FESTARTE como um todo verificamos que, de facto, este Festival abrange quase todos, senão mesmo todos os itens da referida convenção, envolvendo não só os participantes no certame, mas a população de Matosinhos naquela que é considerada por muitos como a maior manifestação cultural do Concelho. Há que continuar a fortalecer aquilo que ao longo de 11 anos o FESTARTE tão duramente procurou transmitir, para que todos juntos possamos ajudar a salvaguardar o agora chamado “Património Imaterial Cultural da Humanidade”.

O FESTARTE Dia a Dia

foram os espectáculos, actuações e eventos que os grupos participantes no FESTARTE tiveram de efectuar. Ao longo de 10 dias houve oportunidade para apreciar o esplendor dos seus trajes, a magia das suas danças, o som único dos seus instrumentos e até provar o sabor da sua gastronomia. O FESTARTE começou no dia 25 de Julho, como vem sendo hábito com o hastear das bandeiras acompanhado dos respectivos hinos dos Países participantes, numa cerimónia sempre muito aguardada, sobretudo pela emoção que causa a sonoridade de cada hino nacional. Nesse mesmo dia, às 21.30, na Praça Eng. Fernando Pinto de Oliveira, realizou-se a Gala de Abertura do Festival, durante a qual todos os Grupos fizeram como que a sua apresentação. O FESTARTE prosseguiu no sábado, com o Encontro de Etnografia e Folclore no Auditório Infante D. Henrique na APDL, sendo também neste dia a abertura da Feira Internacional de Artesanato. Domingo, dia 27 de Julho, foi, como seria de esperar, o dia grande do FESTARTE com a Eucaristia Ecuménica presidida pelo Rev. Padre Fernando Cardoso de Lemos, que contou com a participação de todos os Grupos. Após o almoço, deu-se o desfile pela Avenida Dr. Fernando Aroso até à Feira de Artesanato, com passagem pelo Salão Nobre da Junta de Freguesia para a Recepção Oficial do XXI Festival Internacional de Folclore. Após estes dois eventos teve lugar o Festival Internacional de Folclore, que para além dos Grupos estrangeiros contou ainda com a presença dos portugueses Grupo Típico “O Cancioneiro” de Águeda, Grupo Etnográfico de Danças e Cantares do Minho – Lisboa, Rancho Folclórico de Gouxaria – Alcanena, Grupo Folclórico da Casa do Povo de Ceira – Coimbra e os Grupos organizadores do FESTARTE: Rancho Típico da Amorosa e Rancho Típico de S. Mamede Infesta. O que não ajudou nada à festa foi o estado do tempo que ao longo do dia se foi agravando, acabando por impossibilitar a animação nocturna da Feira de Artesanato pelo Grupo Paroquial de Teatro, assim como o encerramento do dia. Na segunda-feira, dia também bastante preenchido em termos de programação, teve lugar nas ruas Brito Capelo e Parque Basílio Teles a já habitual animação de rua seguindo-se a recepção oficial do FESTARTE no Salão Nobre da Câmara Municipal de Matosinhos. De tarde, os grupos tiveram oportunidade de participar nas Galas Folclóricas de Solidariedade, nomeadamente na Associação Lavrense de Apoio ao Diminuído Intelectual – ALADI onde esteve presente o Grupo da Espanha, na Cadeia Feminina de Santa Cruz do Bispo que contou com a presença do Grupo da República Checa e no Lar de Santana em Matosinhos, que teve a participação do Grupo da Argentina. À noite, em Santa Cruz do Bispo, teve lugar uma Gala Folclórica com os Grupos da Hungria e da Sérvia, tendo a animação da Feira de Artesanato estado a cargo do Grupo de Taiwan. Terça-feira, dia 29 de Julho, foi o dia livre do FESTARTE, sendo apenas de salientar a animação da Feira de Artesanato pelo Rancho Típico da Amorosa. No dia seguinte, pelas 10 horas, deu-se inicio aos Ateliês de Dança, no Adro da Igreja Matriz de Leça da Palmeira, com a presença dos Grupos da Sérvia e da Espanha. Da parte de tarde teve lugar no Auditório Mário Rodrigues Pereira, em Lavra, a Gala Folclórica da 3ª Idade, com a participação de todos os Grupos Estrangeiros. O FESTARTE prosseguiu, à noite, nas Igrejas Matriz de Leça da Palmeira, Santa Cruz do Bispo e São Mamede Infesta, com os habituais recitais de música tradicional sempre com muito público, aliás uma constante ao longo de toda a programação. Na quinta e sexta-feira prosseguiram os Ateliês de Dança, com a presença dos Grupos de Taiwan e Hungria, (quinta-feira), e República Checa e Argentina, (sexta-feira), sendo que no fim da tarde de quinta-feira teve início o Festival de Gastronomia, este ano com a particularidade de os Grupos oferecerem o jantar à população que previamente se inscreveu e que no ano transacto havia oferecido o almoço no dia das Famílias. A Feira de Artesanato terminou na sexta-feira, com fogo-de-artifício, (pouco, que o dinheiro não dava para mais…), que acabou por ser uma pequena surpresa preparada pelos responsáveis da Feira. O FESTARTE prosseguiu no sábado, dia 2 de Agosto, com o Festival de Folclore e respectivo desfile etnográfico, em São Mamede Infesta, e no domingo, em Matosinhos com o respectivo Festival e encerramento do FESTARTE.

Os Grupos Participantes

Compañia Flamenca Cármen Guerrero
Cadiz / Andaluzia – Espanha

A “Companhia Flamenca Cármen Guerrero” chega-nos da comunidade da Andaluzia, com uma população de 7 478 432, o que corresponde a 17,9% da população total do País, para uma área de 85,70 Km2. Fiel representante do Folclore Andaluz, a Companhia Flamenca Cármen Guerrero foi formada em 1986, por Luís Guerrero. Dentro do flamengo, a companhia movimenta todo o ano algumas centenas de jovens que são o suporte dos espectáculos que apresenta. Trouxeram ao FESTARTE os sons da guitarra flamenga com as vozes inconfundíveis da Andaluzia e expressões corporais que fizeram a delícia dos mais exigentes.







Los Mackay Y Ballet Malambo Argentino
Argentina

O Grupo que representou a Argentina nesta 11ª edição do FESTARTE, “Los Mackay Y Ballet Malambo Argentino”, é um fiel representante das tradições da região de Buenos Aires, nomeadamente do tango que é uma dança a par. Tem forma musical binária e compasso de dois por quatro. A coreografia é complexa e as habilidades dos bailarinos são celebradas pelos aficcionados. Segundo Discépolo, “o tango é um pensamento triste que se pode dançar”. Sua origem encontra-se na área do Rio da Prata, na América do Sul, e nas cidades de Buenos Aires e Montevideu.







Bartina Folkdance Ensemble
Szekzárd – Hungria

Desta República do centro da Europa, chegou-nos o “Bartina Folkdance Ensemble” representante de uma cultura (popular) muito apreciada. É um grupo sério, autêntico pilar na educação dos mais jovens, foi formado em 1966 numa escola local, sendo um dos fiéis representantes do folclore magiar. A sonoridade deste grupo é apoiada por um grupo de instrumentistas verdadeiramente extraordinários, que são uma mais valia nos concertos apresentados.








The Ensemble Akademsko Drustvo
Belgrado – Sérvia

O “The Ensemble Akademsko Drustvo” de Belgrado está sedeado numa academia de jovens cuja vertente académica se reflecte no trabalho que apresentam em palco. A qualidade e o rigor nas suas apresentações públicas são fruto de uma tarefa obrigatória nas disciplinas que desenvolvem ao longo do ano lectivo e que são avaliadas de acordo com a pesquisa e com a teoria apresentada. O resultado desde trabalho obedece a práticas posteriores que resultam no palco em expressões sublimes nas suas actuações. São acompanhados por músicos verdadeiramente extraordinários.







Taiwan Youth Dance Company
Taiwan

A História de Taiwan quase se perde no tempo, e remonta a aproximadamente 5000 anos. Navegadores portugueses alcançaram a ilha em 1544, baptizando-a de Ilha Formosa. No Século XVII a ilha é colonizada pelos holandeses, mas estes são pressionados a abandonar a ilha em 1662. Alguns séculos depois e após a Guerra Sino-Japonesa, em 1895, a China foi forçada a ceder perpetuamente Taiwan ao Japão. Com o terminar da Segunda Guerra Mundial em 1945, sob os termos do tratado de rendição do Japão, os Nipónicos aceitam que a ilha seja transferida para o domínio chinês. Por tudo isto, foi muito apetecível apreciar o “Taiwan Youth Dance Company” que trouxe toda a alegria deste povo simpático que nos chegou desta parte do mundo do sol nascente.





Folk Ensemble Handrlák
República Checa

O “Folk Ensemble Handrlák” é visto como um dos mais invulgares representantes desta jovem república, pela qualidade dos espectáculos que nos apresenta. Com músicos verdadeiramente virtuosos, fomos à descoberta da magia dos sons únicos do povo boémio, com a sua extraordinária orquestra. A sua gastronomia, recomendada para paladares mais apurados, completaram a lista de motivos para uma participação muito apreciada.













O Festival de Folclore

Mais do que mil palavras as imagens falam por si. Simplesmente deslumbrante. Um agradecimento especial ao António Barros do Rancho Típico da Amorosa, que gentilmente enviou todas as imagens para publicação


A Feira de Artesanato
Sempre com animação diária, excepto na quarta-feira, que foi o dia dos recitais na Igreja, a Feira de Artesanato deste ano teve a particularidade de se alargar um pouco mais, com o número de expositores a passar dos habituais 15 para 20,o que obrigou a um maior trabalho logístico. A Feira estendeu-se até às traseiras do Salão Paroquial o que conferiu ainda mais cor e movimento a um adro já de si bastante movimentado durante os dias em que a Feira esteve aberta ao público. Saliente-se que, mais uma vez, marcou presença a “Tasquinha lá de cima”, que é como quem diz, do Monte Espinho, que serviu, (e de que maneira), apetitosos petiscos que fizeram as delícias de quantos lá jantaram ao longo da semana. Saliente-se aqui a presença assídua do nosso Pároco, afastado há já algum tempo das lides nocturnas por motivos de saúde, mas que nestes dias de FESTARTE, fez questão de jantar com os seus colaboradores na afamada “Tasquinha”. Para terminar e porque não podemos deixar de o fazer, fica a eterna pergunta a quem de direito: “PARA QUANDO UNS STANDS COM VERDADEIRAS CONDIÇÕES?” Fica aqui uma vez mais a questão, endereçada aos responsáveis pelo FESTARTE, mas também e sobretudo aos órgãos Autárquicos, Junta de Freguesia e Câmara Municipal. Ficamos a aguardar uma resposta se acharem por bem fazê-lo.

O Meu Lamento

Não haverá porventura factores negativos de grande monta a apontar. A organização do FESTARTE já tem muitos anos disto e portanto já se mostram rotinados. No entanto, há alguns detalhes que convém melhorar ou talvez até modificar, quem sabe. Em primeiro lugar, os hinos dos Países: este ano as coisas não correram muito bem, ao contrário dos anos anteriores, com alguns a falhar ou porque não era aquele hino, por força das modificações políticas entretanto operadas ou porque os responsáveis pelo som não testaram convenientemente o funcionamento da aparelhagem. Seja por que motivo for, não se justifica nos dias de hoje que os hinos, estejam eles em formato mp3, wmp ou outra coisa qualquer, não possam ser correctamente executados. Requer-se mais atenção para o ano, para que erros deste tipo não voltem a acontecer. Em segundo lugar, o meu lamento vai para a animação da Feira de Artesanato ou falta dela - não que os Grupos não estivessem lá, mas grande parte deles não percebeu que a intenção era trazer as pessoas à dança. Aliás é para isso que elas lá estão, esperando ansiosamente que as levem para o tablado. Grupos houve que se esqueceram por completo de o fazer. Por último, e porque não quero ser um crítico voraz do FESTARTE, pois sou até um dos seus mais acérrimos defensores, lamento que o stand da Argentina apenas estivesse presente em um ou dois dias, já que nos restantes nem vê-los. Mesmo no grande dia da Feira de Artesanato, (domingo), apenas se dignaram ir buscar o artesanato e ir embora. Para o trabalho que dá montar a Feira de Artesanato, com uma lista de espera de expositores, sempre à espreita de um lugar na Feira, ter um stand vazio na maior parte do tempo não abona em nada ao seu crescimento, isto já para não falar nas inúmeras referências à “não” presença do Grupo. Enfim.....

Nota Final
Passou mais um FESTARTE, neste caso o 11º. Ficamos sempre à espera do próximo, o que por si só justifica o sucesso de mais uma edição. A Organização primou como sempre pela competência e seriedade durante todo o Festival. Na reportagem que fiz, em 2007, referi várias vezes ao longo do artigo que escrevi, que aquele fora “O Melhor Festarte de Sempre”. Este ano tenho de manter a mesma opinião. O ano passado foi até agora o melhor FESTARTE de sempre. Nem a presença nos últimos dois dias do Grupo Mexicano serviu para ofuscar o grande sucesso do 10º FESTARTE. Faltou um “bocadinho assim”, como diz a publicidade. Faltou mais entusiasmo, faltou mais empenho por parte dos Grupos, faltou algo mais para fazer a diferença. Nota positiva para o jantar oferecido à população que recebeu os Grupos, em 2007 - foi a grande novidade este ano, e com tanto sucesso que pode ser uma boa ideia para repetir em próximos Festivais. Por último, merece destaque a presença do Grupo Mexicano no encerramento da Feira de Artesanato, o que engrandeceu o FESTARTE. A sua música contagia, alegra, anima e sobretudo faz uma grande festa. Chegaram fora do programa oficial do FESTARTE, mas ainda bem que chegaram a tempo de fechar com chave de ouro a Feira de Artesanato e o próprio FESTARTE. Que venha a 12ª edição, que da 11ª já reza a história.

José Eduardo Sousa
in "A Voz de Leça" Ano LV - Número 6 - Setembro de 2008

quinta-feira, 31 de julho de 2008

Do Tempo dos Eléctricos

Há tempos o Arqt.º José Salgado autografou-nos um dos números da nova monografia de Matosinhos com a dedicatória: “Em lembrança dos velhos tempos dos eléctricos…”. Esta tocou-nos o coração e espevitou-nos a memória relativamente a um meio de transporte que utilizámos, e com o qual convivemos durante toda a nossa vida de estudante e que vimos, com tristeza desaparecer primeiro da paisagem de Leça da Palmeira e mais tarde praticamente de toda a cidade do Porto e arredores, assistindo agora a um ressurgir tímido mas de saudar.
Sempre conhecemos como entidade exploradora dos carros eléctricos, o Serviço de Transportes Colectivos do Porto, vulgo S.T.C.P., com sede na avenida da Boavista, onde nos deslocámos para tratarmos do passe de estudante, documento que nos permitia viajar para o Liceu Nacional D. Manuel II, no Porto, a um preço mais acessível. Estamos até convencidos que, para além do esforço de toda a família, principalmente do nosso pai, foi um facto que nos permitiu frequentar o liceu; pois, o acesso ao Porto era fácil e rápido, uma vez que de Matosinhos à Carvalhosa demorava trinta minutos, ao preço de 1$20 (doze tostões) mas que logo subiu para 1$50 (quinze tostões).
Sabemos também que o S.T.C.P. sucedeu à Companhia Carris de Ferro do Porto e à Companhia Carril Americano, as quais asseguraram durante muitos anos os transportes públicos para Matosinhos e Leça da Palmeira a tracção a vapor e a tracção animal, respectivamente. Mais modernamente passou a ser utilizada a tracção eléctrica.
Os carros americanos, a tracção animal ainda chegaram a vir a Leça, contudo do que as gerações menos novas se lembram é dos nossos queridos carros eléctricos, das linhas 1, 5, 16 e 19 que proporcionavam viagens maravilhosas nos seus trajectos do Porto até Leça e volta.
A Linha 1 era um espectáculo! Com um percurso ente a Praça da Liberdade (D. Pedro) e a praia de Leça da Palmeira, sempre pela marginal, junto ao mar, tendo normalmente um atrelado.
A Linha 5, também normalmente com atrelado, fazia o trajecto da praia de Leça ao Carmo, subindo a Avenida da Boavista, passava a rua do mesmo nome, Carvalhosa, Cedofeita, Praça de Carlos Alberto e Cordoaria, contornando o edifício da Faculdade de Ciências, passava os Leões, descia ao Hospital de Santo António, entrava na Rua do Rosário, vinha à Carvalhosa, retomando a partir daí o caminho de ida.
A Linha 16 fazia o percurso de Leça, junto ao actual quartel dos Bombeiros de Leça da Palmeira, onde fazia agulha; isto é, mudava de linha, tendo como consequência ser necessário virar os bancos, para o que os mesmos tinham as costas móveis. Subia a Avenida da Boavista em direcção à Praça da República, descia Gonçalo Cristóvão, entrando na Rua de Santa Catarina a caminho da Praça da Batalha, a qual contornava fazendo o mesmo percurso no regresso.
A Linha 19, fazia o trajecto entre a Praça da Liberdade e Leça, até junto aos bombeiros; subindo as ruas dos Clérigos e Carmelitas, atravessava a Praça dos Leões, jardim do Carregal, entrando na Rua de D. Manuel II, Palácio, rua Júlio Dinis, rotunda da Boavista (Praça Afonso de Albuquerque) descia a Avenida em direcção a esta nossa linda terra.
Feita esta vista panorâmica sobre os trajectos não podemos deixar de referir alguns episódios relacionados com carros eléctricos, que nos marcaram, como o acidente do nosso irmão Joaquim que quando tentava apanhar o eléctrico já em andamento, que o transportaria à Escola Industrial Infante D. Henrique, onde frequentava o curso de serralheiro mecânico, caiu, magoando-se imenso, levando a um prolongado internamento no Hospital de Matosinhos, tendo a nossa mãe Brízida em hora de aflição, prometido uma coroa em prata para Nossa Senhora de Fátima, que à data existia no Hospital. Ainda hoje a nossa mãe guarda as canetas e os lápis que o nosso irmão transportava no bolso do casaco e que ficaram esmagados sob os pesados rodados.
Mas nem tudo era triste, como o episódio que acabamos de contar, pois deslocando-se o nosso pai, semanalmente à segunda-feira, à rua dos Caldeireiros, na Cordoaria, para aquisição do material para trabalhar, por vezes levava-nos com ele, e nós muito pequenos como gostávamos daquela viagem comentada!
Apanhávamos o eléctrico da linha 5 no fim da nossa rua junto aos bombeiros, e depois de passada uma vista de olhos ao jornal eis que chegávamos à Circunvalação e aí começava a descrição pelo Castelo do Queijo. Subindo a Avenida da Boavista logo no inicio o Café Bela Cruz, depois eram os belos palacetes, a Fábrica dos Ingleses (William Grham) no Pinheiro Manso, entretanto chegávamos à Rotunda da Boavista, e já de longe comentávamos o Monumento à Guerra Peninsular, admirando lá no alto o leão em cima da águia. Na rua de Cedofeita não deixava de apontar o Bazar dos Três Vinténs repleto de brinquedos que nos limitávamos a ver na montra. Logo de seguida a Praça de Carlos Alberto com o momento aos Mortos das Grandes Guerras, e eis-nos chegados ao Jardim da Cordoaria, hoje completamente desfigurado.
Antes de regressarmos ainda íamos ver o Mercado do Bolhão, e ao lago da Cordoaria ver os peixes e os patos, por vezes visitávamos a nossa tia Carolina que vivia na rua do Barão de Forrester.
Já no eléctrico, normalmente o da linha 19, para passarmos ao Palácio e a volta ficar completa, recordava-mos as caixilharias brancas da bela fachada do Hospital de Santo António, para onde havíamos sido levados com cerca de quatro anos para nos retirarem das narinas grãos de milho e feijão que lá havíamos metido por traquinice de criança, que fomos buscar à saca das compras semanais que a nossa tia Palmira tinha trazido do mercado de Matosinhos.
Eram estes, enfim, os passeios com que a gente humilde se contentava mas que nos deixavam gratas recordações, nos ensinaram a apreciar e a gostar dos pormenores da nossa terra e da cidade grande mais próxima, o Porto; e também muitos dos conhecimentos que nos permitem agora registar e dar a conhecer aos mais novos e recordar aos mais velhos.

Eng.º Rocha dos Santos
in "A Voz de Leça" Ano LV - Número 5 - Julho/Agosto de 2008

Novo Bispo Auxiliar da Diocese do Porto

A Diocese do Porto tem um novo Bispo Auxiliar, D. João Evangelista Pimentel Lavrador, que se junta, assim, a D. João Miranda Teixeira e D. António Maria Bessa Taipa.
Natural de Mira (Coimbra), nasceu no dia 28 de Fevereiro de 1956 em Seixo de Mira. Estudou no Seminário de Buarcos, onde entrou em 1966, tendo terminado o curso de Teologia no Instituto Superior de Estudos Teológicos, em 1980. Foi ordenado Presbítero em Junho de 1981.Entre 1984 e 1988 foi responsável pelo Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil e Assistente Regional do CNE. Durante este período, leccionou Educação Moral e Religiosa Católica na Escola Normal de Educadores de Infância de Coimbra. Entre 1988 e 1990 frequentou a Universidade Pontifícia de Salamanca, terminando a licenciatura canónica na área da Teologia Dogmática com a apresentação da Dissertação «O Laicado no Magistério dos Bispos Portugueses, a partir do Vaticano II».
Em 1991 foi nomeado Reitor do Seminário Maior de Coimbra, cargo que ocupou até 1997. Doutorou-se em 1993, apresentando e defendendo a tese «Pensamento Teológico de D. Miguel da Annunciação – Bispo de Coimbra (1741 – 1779) e renovador da Diocese».
Entre 1993 e 1999 desempenhou também o cargo de Secretário-Geral do Sínodo Diocesano de Coimbra. Desde 1991 que é professor de Teologia Dogmática no ISET de Coimbra.
Foi nomeado Bispo Auxiliar do Porto no passado dia 7 de Maio e a Ordenação Episcopal ocorreu na Sé Nova de Coimbra no dia 29 de Junho.

Fonte: www.diocese-porto.pt
Marina Sequeira
in "A Voz de Leça" Ano LV - Número 5 - Julho/Agosto de 2008

Residência Paroquial - História de Uma Construção

Quem hoje olha para a actual Residência Paroquial pode achá-la um edifício demasiado imponente, mas poucos se recordarão do que levou à sua construção e muito menos da residência anterior, que estava situada noutro local. A Residência Paroquial original tinha sido construída no início do século XIX e estava localizada na área ocupada pelo actual adro e tômbola. Fora oferecida à Paróquia por José Domingues de Oliveira. No início dos anos 60 do século XX, o rebaixamento da actual Avenida Dr. Fernando Aroso, a construção do Salão Paroquial, a necessidade de alargamento do adro da Igreja Paroquial e, sobretudo, a necessidade de alojar os vários sacerdotes coadjutores do Pároco, levaram o Padre Alcino Vieira dos Santos a considerar a construção de uma nova Residência Paroquial. A inviabilidade funcional da Residência Paroquial existente, provocada pelo rebaixamento da actual Avenida Dr. Fernando Aroso, levou o Pároco e a Comissão Fabriqueira a negociar com a Câmara Municipal de Matosinhos a compensação pelos prejuízos provocados a toda a população católica de Leça da Palmeira.
Nesse sentido, foi proposto à autarquia a autorização para a construção de uma nova Residência Paroquial, no terreno oferecido pela Junta de Freguesia, comprometendo-se a Câmara a pagar o valor real do edifício existente. A Câmara Municipal aceitou as condições propostas pela Paróquia, indemnizando-a no valor de 310.000$00, permitindo igualmente o direito ao uso de todos os materiais da antiga residência e assumindo o compromisso de rebaixar o terreno, incorporando-o no adro da Igreja Paroquial.
Em Dezembro de 1961, o Padre Alcino apresentava neste Jornal o projecto da nova Residência Paroquial, que, tal como o do Salão Paroquial, foi da autoria do arquitecto Bruno Reis. A construção justificava-se porque «Por agora, o Pároco tem apenas um Coadjutor – o que é manifestamente insuficiente para as suas necessidades.
Forçosamente, em casa do Pároco se têm de hospedar outros Sacerdotes, chamados à colaboração com ele, como sejam Missionários, Pregadores, Confessores, etc.
Os Sacerdotes têm de ser homens de estudo; e daí, a necessidade de prever, não apenas instalações para atender o público – serviço de cartório – mas gabinetes remotos, onde se possam recolher, para o estudo e para a oração.
Ao número de Sacerdotes, corresponde, necessariamente, um número conveniente de pessoas que tratem da vida doméstica.
Tudo isto justifica o número de dependências constantes da planta.»
Em Maio de 1962, iniciaram-se as obras da nova residência paroquial, ao mesmo tempo que se concluíam as obras do Salão Paroquial e do Bairro dos Pobres. O apelo à generosidade dos paroquianos foi mais uma vez uma constante, por parte do Padre Alcino.
Três anos após o início das obras, a 3 de Maio de 1965, a actual Residência Paroquial era finalmente inaugurada, durante a Festa da Paróquia e contou com a presença de D. Alberto Cosme do Amaral, Bispo Auxiliar do Porto. Mais uma vez, os Leceiros deram uma prova cabal da sua dedicação e empenho às iniciativas da Paróquia. O empenho das forças vivas de Leça da Palmeira permitiu que o Pároco, os seus Coadjutores e o pessoal de apoio passasse a ter uma residência condigna, em termos de condições de habitabilidade e de espaço e que respondesse às necessidades da Igreja


Jorge Sequeira
in "A Voz de Leça" Ano LV - Número 5 - Julho/Agosto de 2008











segunda-feira, 30 de junho de 2008

R.T.A Encena Tradições de Leça

No passado dia 3 de Maio, no Salão Paroquial de Leça da Palmeira, pelas 21h45, o Rancho Típico da Amorosa realizou mais um grandioso espectáculo intitulado “Tradições de Leça”.
Tendo já sido encenado não há muito tempo, esteve como que “guardado na gaveta” e feitas modificação a alguns quadros, no sentido de melhorar a encenação e de aumentar um ou outro quadro, o R.T.A. conseguiu repôr esta produção que muito nos conta da vida “na Leça rural de antigamente” - o quotidiano do lavrador que trabalhava na lavoura de sol a sol, e só parava nos dias de preceito da Igreja, para romarias ou cumprir as suas promessas, e mesmo assim nem sempre. Pretendeu-se, desta forma, mostrar aos mais novos o dia-a-dia do homem do campo, bem como os momentos de lazer, ao longo dos 365 dias do ano.
















Foram representados os seguintes quadros:
· Janeiras – Dois cânticos alusivos à quadra
· Moda da Carrasquinha – Dança recreativa
· Cenas do Entrudo – O “Testamento do Judas”
· Quando meu compadre – Encenação de quadro
· O Senhor da Serra – Dança alusiva ao trabalho do serrador
· Bendito – Melodia cantada na Procissão dos Enfermos
· S. João – “O tostãozinho para a cascata”
· Regadinho – Dança de roda
· Pregões – Vendedores ambulantes
· Arregaça – Dançada depois das regas
· Apanha do Sargaço – O adubo para as terras
· Vira de Oito – Dança de Pescadores
· Desfolhada – Alusão ao Abílio da Moleira
· Vira de Roda – Dança de sedução
· Almas Santas – Melodia com que se pedia esmola
· S. Martinho – O vinho, a alegria, a desmesura…
· Chula Vareira – Dança de Pescadores
· Lavadeiras do Rio Leça – O canto e a coscuvilhice
· O avental da Curiquinha – Dança recreativa
· Mansidão – Dançava-se a caminho das romarias
· Os trajes tradicionais de Leça – Apresentação de Trajes
· Tirana – Dançava-se nas amplas cozinhas leceiras
· Canção de embalar – Cena familiar
· Natal – Adoração ao Menino Jesus
· Janeiras – Cântico de Pastores
A adesão do público foi boa, tendo sido o R.T.A. muito felicitado por mais uma brilhante iniciativa organizada em conjunto com a Junta de Freguesia de Leça da Palmeira. O R.T.A. mostra desta forma que continua muito vivo e sempre disposto a fazer o que melhor sabe para manter vivas as tradições da nossa terra, e levar o nome de Leça da Palmeira o mais longe possível, embora nem sempre os apoios sejam os melhores e suficientes para esta causa.
A época alta do ano no mundo do folclore está já a começar, com festivais e demonstrações de norte a sul do país, e o Ranho Típico da Amorosa não é excepção, tendo organizando em Maio passado o festival do Senhor de Matosinhos e participado no mesmo mês no Festival do Danças e Cantares do Minho em Lisboa. Em Junho continua a participar em outros eventos, como o Festival de Boidobra na Covilhã, Festival de Aniversário do Típico de Ançã, em Cantanhede, Festival de Vila Nova do Coito em Santarém e Festival de Gouveia, na Serra da Estrela. Muitas outras actuações estão já agendadas para o resto do ano, mas neste momento o trabalho do R.T.A. concentra-se em mais uma edição do FESTARTE, este ano a realizar entre 24 de Julho e 4 de Agosto, com a participação da maior parte dos grupos já confirmada faltando apenas a confirmação de um ou outro grupo.


João Teixeira
in "A Voz de Leça" Ano LV - Número 4 - Junho de 2008

Tradições de Leça

Leça da Palmeira, uma cidade à beira – mar plantada desde antiquíssimos tempos tinha o seu modo de viver muito ligado à vida rural, nomeadamente ao calendário do homem do campo.
O lavrador leceiro cumpria religiosa e silenciosamente o seu paciente labor quotidiano ao ritmo que a própria natureza lhe impunha, só descansando um ou outro dia de festa, se isso lhe fosse permitido. Por vezes nem domingos havia!
De Janeiro a Dezembro vivia para o trabalho, relacionando muitos deles com as suas actividades tal como sucede com os meses de: Junho, o S. João; Julho, o de S. Tiago; Setembro, o de S. Miguel; Outubro, o dos Santos, Novembro o de Santo André, ou das sementeiras; e o de Dezembro, o do Natal ou o mês das matanças, por ser a época em que se mata o porco.
A indicação dos meses fazia-se por uma simples festa ou de qualquer acontecimento.
As estações do ano dividiam unicamente, em meses de Verão e meses de Inverno.
No inicio do mês de Janeiro era hábito grupos percorrerem as ruas acompanhados por música de um ou outro instrumento musical, indo de porta em porta cantar as janeiras.
Se o dono da casa correspondia abrindo-lhes a porta, cantavam-lhe: “Viva o dono desta casa / Raminho de salsa crua / Quando se põe á janela / Ilumina toda a rua”. “Viva a dona desta casa / Quando põe o seu mantéu / Quando vaia para a igreja / Parece um anjo do céu. Viva tudo, Viva tudo / Viva tudo nesta hora / Viva também o menino / Para não ficar de fora”; caso isso não acontecesse, gritavam: “nesta casa cheira a unto aqui mora algum defunto. Esta casa cheira a breu aqui, morreu algum judeu”. E… toca a fugir!
Em Fevereiro, dizia-se: “Que matou a mãe ao soalheiro”, e também que: “Lá virá o meu amigo Março que fará o que eu não faço”; tudo isto, claro, relacionado com o tempo de sol e chuva que fazia. Era o mês do Carnaval ou Entrudo, época em que as pessoas se entretiam, disfarçando-se com roupas velhas “correndo o entrudo ou o farrapão”, metendo-se com quem passava, usando esfregarem as caras, mutuamente, com farinha e previlhos. Embora actualmente escasseiem os farrapões, há os mascarados, sendo os encontros em modernos bailes em recintos fechados, estando em decadência o Carnaval grotesco vivido na rua.
Em Março, “em que tanto durmo como faço” ou em Abril de “águas mil, coadas por um funil” ou em que “queima-se o carro e o carril”, ocorria a Páscoa com todo o seu tempo de preparação, com as Procissões dos Passos, a queima do Judas em que é escolhida uma pessoa da comunidade para ser caricaturizado, representada por um boneco de palha com bombas no seu interior ao qual é chegado o fogo após ser lido em tom jocoso o seu “Testamento”, em verso, e a Visita Pascal; e com a chegada do último dia do mês é tradição, os leceiros, grandes e pequenos, cortarem as maias nos campos próximos para as colocar nas suas casas, em todas as portas, janelas e até nos quintais, sementeiras e aidos do gado e capoeiros.
Diz a crença popular que as maias, isto é, as flores da giesta, colocadas nas habitações, significam os sinais postos ao longo do caminho para que Nossa Senhora não se enganasse, aquando da sua fuga para o Egipto com o Menino Deus.
Casa que não tinha maias colocadas ao entrar o mês de Maio “em que se comem as cerejas ao borralho”, o Diabo sujará tudo, além de outros estragos.
O mês de Junho, “com foucinha em punho” traz-nos os Santos Populares com todos os seus folguedos, as fogueiras e os bailes de rua que atingindo o seu ponto máximo no S. João, apesar de “pelo S. João os bois beberem nas pegadas”, “…cobre o milho o rabo ao cão”.
Uma tradição leceira deste mês de Junho é a cascata, que nos traz à memória o deslumbramento da imaginação, da harmonia e da inocência do representar o quotidiano da nossa terra em pequenas figuras de barro compradas na feira da louça do senhor de Matosinhos.
A festa era tal que até se cantava: S. João da Boa Nova. / Nós te qu’remos festejar! / E se queres uma prova, / A tradição se renova, / ‘Stamos na rua a cantar! / … Da nossa terra formosa, / Foste festa popular! /E desta forma amorosa, / Vem tua Leça briosa, / A tradição reatar.
As crianças na rua faziam uma pequena cascata, e por vezes só com um dos Santos na mão, pediam “um tostãozinho para a cascatinha”.
Em Julho, já com o tempo mais quente, começava o ritual dos banhos, primeiro no rio Leça, com fundos lodosos perigosíssimos onde muitos jovens ficaram; mais tarde os banhos de mar tomados de manhã bem cedo e rápido porque o trabalho não esperava.
Em meados de Julho regavam-se os campos para o que se cavavam sulcos extensos de modo a conduzir a água.
Com Agosto à porta surgem as romarias populares, e além das festividades anuais que cada freguesia ainda mantém, perduram as populares e tradicionais romarias, meio pagãs, meio religiosas, onde o povo dá largas à boa disposição.
Pertencem ao número dessas romarias a Santa Eufémia, no alto da Carriça, onde o nosso pai Moisés ia de bicicleta, comprar as alhos e a melancia; a Senhora do Bom Despacho na Maia, etc.
Espontaneamente, ou não, os romeiros juntavam-se em grupos, designados por rusgas e manhã cedo lá iam a pé cantando e dançando, regressando ao escurecer, já com os farnéis vazios.
Destas rusgas nasceu o Rancho Típico da Amorosa defensor e guardião das tradições leceiras que com os seus trajes tão bem conservados, cantares e dançares, mantém vivas não só as tradições leceiras mas também a alma do nosso povo. É um regalo vê-los actuar! Obrigado Raúl.
Durante muitos anos os nossos primos Henriqueta e Hermano Rocha alimentaram a tradição cuidando com toda a dedicação desta nossa tão nobre associação.
Depois do árduo trabalho do campo durante o ano, chega Setembro com a verdadeira azáfama, pois é altura de trazer para casa o milho, outrora transportado em carros de bois, descarregando-o no coberto onde era desfolhado, o que constitui um cerimonial, pois se durante o dia era um trabalho silencioso à noite, ao serão, juntavam-se os rapazes das redondezas. Quando alguém encontrava uma espiga vermelha, “milho rei”, tinha licença para distribuir abraços à roda. Se for espiga “rajada” ou “entremeada”, em vez de abraços à roda, são beijos. Os donos da casa ofereciam pão, vinho, e azeitonas, aparecendo quem tocasse, a gente jovem não resistia à tentação de dançar.
Em Outubro com os trabalhos já encaminhados e o inverno a aproximar-se vamos referir uma outra tradição leceira, que naturalmente desapareceu; referimo-nos às lavadeiras de Leça, que no braço doce do rio lavavam a roupa de sua casa e a de muitas famílias inglesas que à época aqui habitavam, constituía um ritual não só pelo trabalho mas também pelo aspecto social, pois permitia pôr em dia as notícias sobre a vizinhança com o desmascarar de alguns “segredos” e o levantar de alguns boatos! Era uma coscuvilhice! Claro que nos encontros com as mulheres da outra margem do Leça, por vezes as conversas azedavam, ao ponto de chegarem a vias de facto.
Novembro começa com a homenagem aos finados e aqui, por muito que nos custe, vamos falar dos enterros.
Assim, quando morria alguém “tocava o sino a sinal” por duas vezes se era mulher e três vezes se era homem.
O corpo é lavado. Se é homem faz-se-lha a barba, isto é o barbeiro dá-lhe uma “escanhoadela” e é vestido. Posto no caixão procede-se ao velório durante o qual se juntam familiares e amigos, sendo habitual à noite servir café e aguardente.
Á hora de sair o enterro o padre procede ao “levantar do corpo” organizando-se o cortejo fúnebre, à frente a cruz e dois acompanhantes aos guiões ou às borlas, serviço em que ganhámos alguns cobres conjuntamente com os nossos amigos Valdemar e Tito ao serviço do Sr. Silva Armador. A seguir o padre com o rapaz da caldeirinha e atrás do caixão os acompanhantes, familiares e amigos transportando palmas de flores e coroas.
Ainda em Novembro surgiam os vendedores de castanhas que as assavam no forno do padeiro, após o que as punham num saco de serapilheira, cuja boca fumegava, e percorriam as ruas de Leça apregoando: “Quentes e boas! São da quinta da minha avó”!
Em Dezembro, já com frio, e com um cerimonial festivo fazia-se a “matança do porco”. O animal engordado durante o ano, é amarrado a um banco ou a um carro de bois e morto, depois era chamuscado e lavado, aberto e desmanchado.
Neste último mês temos ainda o Natal, o qual deixaremos para uma crónica específica em tempo oportuno.
Haveria muitas outras tradições a referir porém este nosso escrito já vai longo. Deixaremos para outras oportunidades.

Eng.º Rocha dos Santos

in "A Voz de Leça" Ano LV - Número 4 - Junho de 2008

Dia da Mãe no Centro Franciscano

Mais uma vez a Catequese do Centro Franciscano teve uma ideia engraçada: em vez de termos uma catequese do Dia da Mãe, para as mães, este ano tivemos uma catequese feita pelas mães para as suas crianças.
Foi ideia de uma mãe, que inicialmente seria apenas aplicada em dois grupos, nos quais estavam as suas filhas, mas rapidamente passou para toda a catequese do Centro.
Fica aqui a entrevista com a mãe, (Paula Bártolo), que organizou este dia fantástico e também com um dos Catequistas, (Ana Isabel), que seguiu, com agrado, esta sessão.

A Voz de Leça (VL) - Como surgiu a ideia de as mães participarem activamente na sessão de catequese?
Paula Bártolo (PB): Esta ideia surgiu num sábado, após o diálogo habitual com as minhas filhas sobre a sessão de catequese do dia, como uma forma de mostrar, por um lado, aos catequistas que os Pais reconhecem e agradecem o papel fundamental que eles desempenham no crescimento dos nossos filhos; por outro lado, aos nossos filhos que a catequese é um aspecto de vida deles que os Pais valorizam e na qual querem participar.

VL - Qual a opinião das mães em relação à catequese no CEFPAS?
PB: Esta iniciativa só ocorreu porque tem por base o reconhecimento do excelente trabalho desenvolvido por uma maravilhosa equipa de pessoas que diariamente, e não semanalmente, põe a sua vida ao serviço de Deus nas pessoas dos nossos filhos. Tem sido muito gratificante constatar o crescimento na fé que se tem operado ao longo destes anos nos nossos filhos.

VL - Considera importante a intervenção da família na catequese?
PB: Como é óbvio, a caminhada que os nossos filhos vão fazendo na fé tem repercussões no crescimento da família. É muito importante que os nossos filhos sintam que os Pais não os "depositam" na catequese mas que os incentivam a "viver" a catequese e que eles próprios pretendem viver esse aspecto fundamental das suas vidas. Se nos preocupamos em lhes alimentar o corpo, também nos preocupamos com o alimento espiritual e ficamos felizes por os vermos crescer em “estatura, sabedoria e graça”.

VL - Acha que as mães aderiram bem a esta ideia?
PB: Foi uma enorme surpresa a adesão da esmagadora maioria das mães. Cada uma pondo a render os seus talentos com o objectivo de fazer daquele dia muito especial.

VL - Como foi a experiência de preparar uma sessão de catequese?
PB: Tratou-se de uma experiência muito enriquecedora. Desde o despertar das consciências das outras mães, passando pela necessidade de coordenar uma série de actividades, até à escolha e transmissão da mensagem que pretendíamos fazer passar, tudo foi motivo de crescimento. Por fim, ver a satisfação e o orgulho dos nossos filhos foi a melhor prenda do Dia da Mãe que podíamos ter recebido.







VL - O que significou, enquanto Catequista, este dia diferente?
Ana Isabel - Este Dia da Mãe foi um dia bem diferente para a comunidade do Centro Franciscano de Pastoral e Acção Social. Diferente para todos: para as crianças, para os pais (mais particularmente para as mãe), para os catequistas e também para os padres da casa. Sentiu-se em toda a gente o espírito de união e de fraternidade que temos tentado alcançar neste Centro. O facto de serem as mães das crianças a prepararem uma catequese significa muito mais do que isso. Significa que os pais se preocupam com a educação catequética dos seus filhos e que se sentem profundamente à vontade para participarem activamente nessa caminhada tão difícil nos dias de hoje. Este dia de catequese diferente revela também que o esforço que temos feito para trazer a Família à Catequese está a ser conseguido! E para os catequistas foi também uma prova de gratidão, uma prova de valorização do trabalho que desenvolvemos com as crianças, adolescentes e jovens.
“Nós demorámos algumas semanas a preparar uma só sessão, enquanto que vocês têm uma sessão para preparar todas as semanas e fazem-no com qualidade!”, disse uma das mães presentes no encontro. São frases pequenas e muito simples, sinceras mas que servem como um “obrigado” para nós catequistas. “Deus está no teu sorriso” era a mensagem que as mães quiseram passar para todos. E conseguiram fazê-lo muito bem. Respirou-se boa disposição, muito amor e muito carinho naquele dia.
Que Deus esteja sempre no sorriso dos pais os primeiros e principais educadores da Fé; que Deus esteja sempre no sorriso dos párocos que são os pastores do rebanho; que Deus esteja sempre no sorriso dos catequistas que são os que transmitem a Palavra de Deus às crianças e jovens; que Deus esteja sempre, mas sempre, no sorriso das crianças que são o amanhã!


Ana Isabel Faria
Simão Bártolo

in "A Voz de Leça" Ano LV - Número 4 - Junho de 2008

Comendador António de Carvalho - Um Grande Benemérito de Leça da Palmeira

A propósito da memória da construção do Salão Paroquial, aqui fica o registo biográfico de um grande senhor, que tão bem fez nesta nossa terra.

Na edição de Janeiro de 1956 d’ A Voz de Leça, o Padre Alcino Vieira dos Santos escrevia a propósito do falecimento deste grande senhor beirão, o Comendador António de Carvalho, que aqui viveu, em Leça da Palmeira, terra que ajudou a desenvolver, tanto através da indústria que aqui fundou e desenvolveu, como através da sua generosidade.
“(…) A sua fé acompanhava-o na sua vida social. Quando era perseguido pela injustiça, dizia aos amigos: “Eu perdoo tudo. Só quero defender o pão dos meus operários e dos pobrezinhos.” Era amigo dos seus operários, que considerava como irmãos. Era um “Patrão” no verdadeiro sentido do termo: protector-pai… Trava os seus clientes com a lealdade de amigos. (…) Como católico era o primeiro a secundar as iniciativas paroquiais: já aqui falámos na dádiva de 20.000$00 para o Salão Paroquial. Foi um grande benfeitor da Confraria dos Passos do Senhor e Nossa Senhora da Soledade e das Conferências de São Vicente de Paulo. A sua paixão dominante era a caridade. O seu coração não suportava a miséria. A sua generosidade era tanta, que espíritos vulgares não hesitavam em classificá-la de esbanjamento. Santo esbanjamento! Santa prodigalidade! As bênçãos de Deus desceram abundantemente sobre a sua indústria que sempre prosperou (…). A simplicidade da sua alma, junto ao genial talento de industrial, tornavam-no extremamente simpático e querido de todos. Bem podia orgulhar-se do seu talento e do seu dinheiro, mas não. Nunca deixou de ser operário; (…)Tinha um sorriso característico, que acompanhava as suas esmolas. Sabia dar. (…)”
Deixaria em testamento, mais 20.000$00 para o Salão Paroquial.
Fundador da FACAR, (antiga indústria de tubos metálicos sediada em Leça da Palmeira, que viria a desaparecer após 25 de Abril de 1974), o Comendador António de Carvalho era natural de Lamego, onde nasceu em 1874, na freguesia da Sé daquela cidade. Órfão de pai e mãe aos 9 anos de idade, o pequeno António veio para o Porto, para casa de uns parentes, que lhe arranjaram um lugar de aprendiz numa fundição em Massarelos. As dificuldades da vida, que o privaram das despreocupações de uma infância feliz, deram-lhe espírito de iniciativa e vontade de vencer, pelo que ainda jovem era já encarregado de uma oficina metalomecânica, enquanto estudava à noite na Escola Infante D. Henrique.
Com pouco mais de 20 anos emigrou para o Brasil, que era na altura o destino de quem queria “vencer na vida”. Ambicioso mas com uma rectidão de carácter reconhecida e apreciada por todos quantos com ele puderam conviver, também ali teve sucesso, tendo em pouco tempo montado uma oficina de serralharia e fundição. À pequena oficina seguiu-se a construção de barcos com características particulares, (de ferro e com o fundo chato), para subirem o rio Amazonas durante os seis meses de vazante do caudal, período durante o qual os barcos tradicionais não o conseguiam fazer. O sucesso destas embarcações foi tal que António de Carvalho teve que montar uma doca seca para a sua reparação.
Regressado a Portugal ao fim de 25 anos no Brasil, e pretendendo também aqui continuar a ser fundidor e construtor naval, acaba por vir para Leça da Palmeira por causa da localização do porto de Leixões. Apesar de ter chegado a perito na Capitania de Leixões, dada a fraca densidade pesqueira que se verificava naquela época, acabou por converter a oficina de reparação de traineiras, que montara no regresso do Brasil, numa pequena fábrica de tubos de aço. Pequena mas já com características algo avançadas para a época, que viriam a dar origem à padronização dos tubos de aço, em medidas e moldes fixos, numa variedade que se foi alargando com o passar dos anos.
Mais uma vez se manifestava a sua visão à frente do seu tempo: depois de, no Brasil ter sido pioneiro numa vertente da construção naval, em Portugal seria o precursor da indústria dos tubos de aço.
Morreu a 20 de Dezembro de 1955.
O sonho de tornar a FACAR na maior fábrica de tubos da Europa só seria concretizado pelos filhos, António de Carvalho Júnior e Fernando de Carvalho. A FACAR seria também o maior e melhor empregador do concelho de Matosinhos.
Após a chamada “Revolução dos Cravos”, em 1974, durante o período mais negro do “PREC” (Processo Revolucionário Em Curso…), segundo uma certa ideologia reinante que preconizava a anarquia, (não vale a pena dar-lhe outro nome, porque era isso mesmo!), lá surgiu a obrigatória “comissão de trabalhadores” que assumiu a direcção da fábrica, substituindo-se aos seus donos e, em poucos anos, acabou com uma das maiores empresas portuguesas, arrastando para o desemprego famílias inteiras.
Hoje, na zona onde durante décadas existiu a FACAR sobressai um muito visível grupo de prédios, cuja construção se arrastou por polémicas de vária ordem. “Apesar dos pesares” que acompanharam o seu surgimento, aquelas construções foram a forma encontrada para, monetariamente, resolver muitas questões relacionadas com a extinção da FACAR.
Ao menos isso!






Marina Sequeira
in "A Voz de Leça" Ano LV - Número 4 - Junho de 2008

Fontes: A Voz de Leça (Janeiro de 1956)
BENTO,Jorge,2001-Último Pio Do Pardal; Leça da Palmeira, Edição do Autor.

sábado, 31 de maio de 2008

Festa Surpresa do 1º Catecismo

No passado dia 15 de Março, realizou-se no Salão Paroquial uma festinha com as crianças do 1º ano de Catequese. Este evento foi destinado a angariar fundos para a realização de uma viagem ao Santuário de Fátima, de cujas aparições também lhes falámos, cumprindo o preceituado no catecismo, onde se lê que nada melhor do que mostrar às crianças os acontecimentos nos locais próprios.
Já antes do Natal faláramos às crianças em Nossa senhora, a propósito da Anunciação do Anjo, quando ele A veio convidar para ser a Mãe de Jesus e lhe falou de sua prima Isabel que estava para ser mãe. Nessa altura aprenderam a rezar a “Avé-Maria”.
Na festa referida, cada grupo apresentou o seu trabalho: houve danças populares, cantigas, (o “Eu Vi Um Sapo” foi uma graça!), rábulas, teatro, um desfile de moda para todas as épocas e vários “quadros” alusivos à Catequese, como “A Pesca Milagrosa”, “Os Sete Pecados Mortais”, “A Ressurreição”, “Verdade e Mentira”. Foi digno de se ver o empenho e até algum “profissionalismo” dos pequeninos. Igualmente louvável foi o trabalho de todos os Catequistas.
Houve também algumas surpresas, como foi o caso dos Catequistas Ana Catarina e Sérgio que, sendo irmãos para além de tudo, apresentaram um “merengue” e a presença de um grupo de dançarinos da Escola de Danças de Salão da Escola Secundária da Boa Nova, que trouxeram belíssimos números de dança que a todos deliciaram pela beleza e qualidade.
Resta agradecer a todos pela generosidade, empenho e presença: às professoras, coreógrafo e bailarinos na Escola da Boa Nova, aos patrocinadores, ao Pedro Pinheiro que forneceu e operou a aparelhagem sonora e a quem nos honrou com a sua presença, pais, familiares e amigos, pois sem eles não se teria conseguido nada.
Bem hajam e obrigado por tudo.



As Catequistas
Salomé Oliveira e Alice Canastra
in "A Voz de Leça" Ano LV - Número 3 - Maio de 2008

3º Aniversário da Morte do Papa João Paulo II

O Papa João Paulo II faleceu na vigília do segundo domingo da Páscoa de 2005, e esse momento foi lembrado, no dia 2 de Abril deste ano, na homilia que o Papa Bento XVI proferiu na Missa de sufrágio pelo seu antecessor. Sendo todo o discurso proferido pelo Sumo – Pontífice uma “memória” da vida daquele Papa extraordinário, merece especial destaque o excerto que se segue, por citar uma frase “forte”, sempre repetida por João Paulo II.
“(…)"Não tenhais medo!" (Mt 28, 5). As palavras do anjo da ressurreição, dirigidas às mulheres junto do sepulcro vazio, que agora ouvimos, tornaram-se uma espécie de mote nos lábios do Papa João Paulo II, desde o início solene do seu ministério petrino. Repetiu-as várias vezes à Igreja e à humanidade a caminho rumo ao ano 2000, e depois através daquela meta histórica e também sucessivamente, no alvorecer do terceiro milénio. Pronunciou-as sempre com firmeza inflexível, primeiro agitando o báculo pastoral culminante na Cruz e depois, quando as energias físicas iam diminuindo, quase agarrando-se a Ele, até àquela última Sexta-Feira Santa, na qual participou na Via-Sacra da Capela particular estreitando a Cruz entre os braços. Não podemos esquecer o seu último e silencioso testemunho de amor a Jesus. Também aquele eloquente cenário de sofrimento humano e de fé, naquela última Sexta-Feira Santa, indicava aos crentes e ao mundo o segredo de toda a vida cristã. O seu "Não tenhais medo" não se fundava nas forças humanas, nem nos êxitos obtidos, mas unicamente na Palavra de Deus, na Cruz e na Ressurreição de Cristo. À medida que era despojado de tudo, por fim até da própria palavra, esta entrega a Cristo sobressaiu com crescente evidência. Como aconteceu a Jesus, também para João Paulo II no fim as palavras deixaram o lugar ao sacrifício extremo, à doação de si. E a morte foi o selo de uma existência totalmente doada a Cristo, conformada com Ele também fisicamente nas características do sofrimento e do abandono confiante nos braços do Pai celeste. "Deixai que eu vá para o Pai", foram estas, como testemunha quem estava próximo dele, as suas últimas palavras, em cumprimento de uma vida totalmente dedicada ao conhecimento e à contemplação do rosto do Senhor. (…)”
Recolha de Plácido Santos
in "A Voz de Leça" Ano LV - Número 3 - Maio de 2008

As Palavras do Servo de Deus

Pelos Jovens
Senhor Jesus,
que chamaste
quem quiseste,
chama muitos de nós
a trabalhar para ti,
a trabalhar conTigo.
Tu, que iluminastes
Com a Tua palavra
Aqueles que chamastes,
ilumina-nos com o dom
da fé em Ti.
Tu, que os apoiastes
Nas dificuldades,
Ajuda-nos a vencer
As nossas dificuldades
De jovens actuais.
E se chamares
Algum de nós
Para o consagrar todo a Ti,
Que o Teu coração aqueça
Esta vocação desde o seu nascimento
E a faça crescer
E perseverar até ao fim.
Assim seja.

Recolha de Plácido Santos
in "A Voz de Leça" Ano LV - Número 3 - Maio de 2008

quarta-feira, 30 de abril de 2008

Salão Paroquial - Quadro de Honra

A grandiosa obra do Salão Paroquial é uma das grandes marcas da passagem do Padre Alcino Vieira dos Santos por Leça da Palmeira. Uma obra que só foi possível graças ao seu enorme empenho e capacidade de cativar toda a população leceira. Foram os paroquianos de Leça da Palmeira que, com os seus contributos, tornaram possível a edificação desta infraestrutura tão necessária para a nossa vida paroquial.
Concluída a obra da construção do Salão Paroquial, entendeu o Pe. Alcino dedicar no número de Fevereiro de 1966 uma homenagem às figuras que mais se distinguiram, na sua opinião, na construção do Salão Paroquial. As pessoas distinguidas são:

Eng. Henrique Scherreck – ilustre Director da Administração dos Portos de Douro e Leixões, que deu facilidades e auxílios de primeira importância




















Eng. Alberto da Cunha Leão - ilustre Director dos Serviços de Exploração da Administração dos Portos de Douro e Leixões, que com o seu dinamismo e espírito meticuloso a quem não escapam pormenores e ainda com a sua boa vontade sempre pronta a conceder facilidades



















António de Carvalho, António de Carvalho Júnior e Fernando de Carvalho – proprietários da FACAR, que sempre avançaram na vanguarda do progresso do Salão Paroquial, deram substancial auxílio material.



















João Ramsey Nicolau de Almeida – na qualidade de membro da Comissão Fabriqueira e Juiz da Confraria do Santíssimo Sacramento, ajudou com o seu trabalho, opinião esclarecida e com subsídios em dinheiro de primeira grandeza



















Dr. José Leite Nogueira Pinto, Conde de Leça – que contribuiu com precioso auxílio material





















Arq. Bruno Reis – pelo seu edificante desprendimento (o seu trabalho foi gratuito) e pelo zelo com que orientou e acompanhou a obra até ao fim




















Eduardo Vieira – dinâmico organizador e competente orientador da Campanha das Cotas mensais ou “Inquilinos do Salão”, que deu para esta obra mais de 200 contos





















Augusto Duarte Pedroso – incansável trabalhador e competente orientador que ajudou o Pároco na direcção da obra do Salão Paroquial





















Manuel Gonçalves Morgado – que ofereceu, conjuntamente com o seu genro, António Oliveira, alguns metros de terreno para a construção do Salão Paroquial

Capela de São Miguel – A este conjunto coral muito se deve, pelo lançamento e organização das actividades teatrais e cinematográficas. Destacando-se o seu Director, Jorge Bento, pela actividade desenvolvida no cinema, José Ferreira Santiago, que fez gratuitamente toda a obra de picheleiro e Francisco Leite, que organizou e desenvolveu as actividades do bufete.




Jorge Sequeira
in "A Voz de Leça" - Ano LV - Número 2 - Abril de 2008