Decorreu entre os dias 24 de Julho e 4 de Agosto o 11º FESTARTE – Festival Internacional de Artes e Tradição Popular de Matosinhos, que este ano trouxe ao nosso concelho grupos folclóricos oriundos de seis Países, desde a Ásia até à América Latina, passando pela Europa maioritariamente representada como vem sendo habitual. Este ano o FESTARTE procurou chamar a atenção para a Salvaguarda do Património Imaterial Cultural da Humanidade, adoptada a 17 de Outubro de 2003, na 32ª Sessão da Conferência Geral da UNESCO. Sendo o FESTARTE um festival CIOFF (Comité Internacional de Organizadores de Festivais de Folclore e Artes Tradicionais), nada faria mais sentido do que promover e naturalmente salvaguardar esse Património Imaterial Cultural. Essa Convenção da UNESCO foi ratificada por decreto do Sr. Presidente da República de 26 de Março de 2008 e igualmente aprovada pela Assembleia da República. Para que possamos perceber exactamente do que se trata, aproveito as palavras do presidente do FESTARTE, Raul Neves, que na sua mensagem aos participantes do Festival, transcreve o artigo 2 dos 40 existentes nessa resolução:“1) Entende-se por “património cultural imaterial” as práticas, representações, expressões, conhecimentos e aptidões – bem como os instrumentos, objectos, artefactos e espaços culturais que lhes estão associados – que as Comunidades, os Grupos e, sendo o caso, os indivíduos reconheçam como fazendo parte integrante do seu património cultural. Esse património cultural imaterial, transmitido de geração em geração, é constantemente recriado pelas Comunidades e Grupos em função do seu meio, da sua interacção com a natureza e da sua história, incutindo-lhes um sentido de identidade e de continuidade, contribuindo, desse modo, para a promoção do respeito pela diversidade cultural e pela criatividade humana. Para os efeitos da presente Convenção, tomar-se-á em consideração apenas o património cultural imaterial que seja compatível com os instrumentos internacionais existentes em matéria de direitos do Homem, bem como as exigências de respeito mútuo entre comunidades,
grupos e indivíduos e de desenvolvimento sustentável;2) O “património cultural imaterial”, tal como definido no número anterior, manifesta-se nomeadamente nos seguintes domínios:
a) Tradições e expressões orais, incluindo a língua como vector do património cultural imaterial;
b) Artes do espectáculo;
c) Práticas sociais, rituais e eventos festivos;
d) Conhecimentos e práticas relacionados com a natureza e o universo;
e) Aptidões ligadas ao artesanato tradicional.”
Se olharmos para o FESTARTE como um todo verificamos que, de facto, este Festival abrange quase todos, senão mesmo todos os itens da referida convenção, envolvendo não só os participantes no certame, mas a população de Matosinhos naquela que é considerada por muitos como a maior manifestação cultural do Concelho. Há que continuar a fortalecer aquilo que ao longo de 11 anos o FESTARTE tão duramente procurou transmitir, para que todos juntos possamos ajudar a salvaguardar o agora chamado “Património Imaterial Cultural da Humanidade”.
Os Grupos Participantes
Compañia Flamenca Cármen Guerrero
Cadiz / Andaluzia – Espanha
A “Companhia Flamenca Cármen Guerrero” chega-nos da comunidade da Andaluzia, com uma população de 7 478 432, o que corresponde a 17,9% da população total do País, para uma área de 85,70 Km2. Fiel representante do Folclore Andaluz, a Companhia Flamenca Cármen Guerrero foi formada em 1986, por Luís Guerrero. Dentro do flamengo, a companhia movimenta todo o ano algumas centenas de jovens que são o suporte dos espectáculos que apresenta. Trouxeram ao FESTARTE os sons da guitarra flamenga com as vozes inconfundíveis da Andaluzia e expressões corporais que fizeram a delícia dos mais exigentes.Los Mackay Y Ballet Malambo Argentino
Argentina
O Grupo que representou a Argentina nesta 11ª edição do FESTARTE, “Los Mackay Y Ballet Malambo Argentino”, é um fiel representante das tradições da região de Buenos Aires, nomeadamente do tango que é uma dança a par. Tem forma musical binária e compasso de dois por quatro. A coreografia é complexa e as habilidades dos bailarinos são celebradas pelos aficcionados. Segundo Discépolo, “o tango é um pensamento triste que se pode dançar”. Sua origem encontra-se na área do Rio da Prata, na América do Sul, e nas cidades de Buenos Aires e Montevideu.Bartina Folkdance Ensemble
Szekzárd – Hungria
Desta República do centro da Europa, chegou-nos o “Bartina Folkdance Ensemble” representante de uma cultura (popular) muito apreciada. É um grupo sério, autêntico pilar na educação dos mais jovens, foi formado em 1966 numa escola local, sendo um dos fiéis representantes do folclore magiar. A sonoridade deste grupo é apoiada por um grupo de instrumentistas verdadeiramente extraordinários, que são uma mais valia nos concertos apresentados.Belgrado – Sérvia
O “The Ensemble Akademsko Drustvo” de Belgrado está sedeado numa academia de jovens cuja vertente académica se reflecte no trabalho que apresentam em palco. A qualidade e o rigor nas suas apresentações públicas são fruto de uma tarefa obrigatória nas disciplinas que desenvolvem ao longo do ano lectivo e que são avaliadas de acordo com a pesquisa e com a teoria apresentada. O resultado desde trabalho obedece a práticas posteriores que resultam no palco em expressões sublimes nas suas actuações. São acompanhados por músicos verdadeiramente extraordinários.Taiwan Youth Dance Company
Taiwan
A História de Taiwan quase se perde no tempo, e remonta a aproximadamente 5000 anos. Navegadores portugueses alcançaram a ilha em 1544, baptizando-a de Ilha Formosa. No Século XVII a ilha é colonizada pelos holandeses, mas estes são pressionados a abandonar a ilha em 1662. Alguns séculos depois e após a Guerra Sino-Japonesa, em 1895, a China foi forçada a ceder perpetuamente Taiwan ao Japão. Com o terminar da Segunda Guerra Mundial em 1945, sob os termos do tratado de rendição do Japão, os Nipónicos aceitam que a ilha seja transferida para o domínio chinês. Por tudo isto, foi muito apetecível apreciar o “Taiwan Youth Dance Company” que trouxe toda a alegria deste povo simpático que nos chegou desta parte do mundo do sol nascente.Folk Ensemble Handrlák
República Checa
O “Folk Ensemble Handrlák” é visto como um dos mais invulgares representantes desta jovem república, pela qualidade dos espectáculos que nos apresenta. Com músicos verdadeiramente virtuosos, fomos à descoberta da magia dos sons únicos do povo boémio, com a sua extraordinária orquestra. A sua gastronomia, recomendada para paladares mais apurados, completaram a lista de motivos para uma participação muito apreciada.



O Meu Lamento
Não haverá porventura factores negativos de grande monta a apontar. A organização do FESTARTE já tem muitos anos disto e portanto já se mostram rotinados. No entanto, há alguns detalhes que convém melhorar ou talvez até modificar, quem sabe. Em primeiro lugar, os hinos dos Países: este ano as coisas não correram muito bem, ao contrário dos anos anteriores, com alguns a falhar ou porque não era aquele hino, por força das modificações políticas entretanto operadas ou porque os responsáveis pelo som não testaram convenientemente o funcionamento da aparelhagem. Seja por que motivo for, não se justifica nos dias de hoje que os hinos, estejam eles em formato mp3, wmp ou outra coisa qualquer, não possam ser correctamente executados. Requer-se mais atenção para o ano, para que erros deste tipo não voltem a acontecer. Em segundo lugar, o meu lamento vai para a animação da Feira de Artesanato ou falta dela - não que os Grupos não estivessem lá, mas grande parte deles não percebeu que a intenção era trazer as pessoas à dança. Aliás é para isso que elas lá estão, esperando ansiosamente que as levem para o tablado. Grupos houve que se esqueceram por completo de o fazer. Por último, e porque não quero ser um crítico voraz do FESTARTE, pois sou até um dos seus mais acérrimos defensores, lamento que o stand da Argentina apenas estivesse presente em um ou dois dias, já que nos restantes nem vê-los. Mesmo no grande dia da Feira de Artesanato, (domingo), apenas se dignaram ir buscar o artesanato e ir embora. Para o trabalho que dá montar a Feira de Artesanato, com uma lista de espera de expositores, sempre à espreita de um lugar na Feira, ter um stand vazio na maior parte do tempo não abona em nada ao seu crescimento, isto já para não falar nas inúmeras referências à “não” presença do Grupo. Enfim.....
Nota Final
José Eduardo Sousa







































